Eu quero sorrir de novo.
Acreditar novamente nas manhãs e fazer delas minha esperança de renovo.
Morte essa senhora que chega sem convite e sem fazer alardes, hoje parei para pensar nela, para refletir sobre a brevidade da vida.
A única certeza que temos, "Vamos morrer um dia", e quando será?Pode ser amanhã ou daqui um instante.
Sentar para conversar com essa senhora nos faz valorizar momentos, pessoas e lugares, nos faz ver tudo de forma mais calma e apreciar a simplicidade, nos leva a rever o passado, viver o presente e repensar o futuro.
Futuro esse que passa a ser o próximo instante; o sorvete com os filhos, o passseio com o namorado...Expressar o carinho sem espectativa de reciprocidade.
Conversa que me leva a ser mais contemplativa e menos ansiosa.
Ah Senhora morte, espero o dia que te encontrar eu esteja de mãos vazias, livre de apegos e que tudo que eu tiver conseguido seja deixar nos corações boas recordações.
E que meu último gesto seja um sorriso de Gratidão...Assim te encontrarei.
Estava refletindo e me recordei de como era bom ser criança.
Interessante pensar como nessa fase da vida queremos crescer logo ser adultos e donos de si.
Hoje vejo como era maravilhoso ser cuidada por minha mãe, ela que sentava comigo e brincava de casinha, colocava comida de verdade em minhas panelinhas.
Era tão bom brincar com ela, saudade contundente aqui em meu peito.
Maravilhosa a imaginação que me fazia acreditar que dentro do rádio de madeira existiam homens que falavam as horas e cantavam para nós.
Uma história boa para ser contada: Quando meu pai teve que abrir o rádio e eu eufórica e ansiosa fiquei ao seu lado aguardando para conhecer o homem pequeno que morava ali dentro daquele rádio, e quando o rádio foi aberto só haviam pecinhas azuis de todos os tamanhos e me recordo de dizer chorando ao meu pai; "Você matou ele!".
Meu pai sem entender nada disse; "Matei quem?"
Vaga lembrança desse momento...
Me lembro tambem de acreditar que o nosso querido Silvio Santos morava na minha televisão rss...
A como era bom ser criança, brincar de corda, rouba bandeira, casinha, barra manteiga, queimada, estrela pula cela...
Brincar com meus dois irmãos era maravilhoso, eu a Re sempre dávamos um jeito do nosso irmão brincar conosco ele o único menino da casa...a Beliche virava ônibus, barraca de camping, avião...era demais nossa imaginação.
Maravilhoso lembrar dos almoços na casa da minha tia Ciça, dos cafés da tarde com abacate amassado com açúcar, bolinhos de chuva na casa da tia Lena, dos almoços de família na casa do vo Manuel com os tios e tias reunidos e nossas brincadeiras com os primos na rua nesses encontros.
Gostávamos de ir no cemitério rss...
Lá perto da casa do Vovô tem um cemitério particular chique e na época tinha alguns animais, como coelhos, pássaros e uma macaca, levávamos bala para ela.
Além da diversão com os animais tinha o mistério de um lugar repleto de gente morta.
Como era bom ser criança, claro que tem muita história para contar dessa época, ficaria aqui muito tempo escrevendo.
Ser criança é um dom e não devemos deixar nossa criança interior morrer!
Então a minha permanece aqui e se faz presente sempre...
E a sua?